Lusofonias de Cabo Verde

Literatura infanto juvenil – MIA COUTO

Mia Couto nasceu e foi escolarizado na Beira, cidade capital da província de Sofala, em Moçambique – África. Adotou o nome porque tinha uma paixão por gatos e porque o seu irmão não sabia pronunciar o nome dele. Mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Além de considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido.

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“… o gatinho gostava passear-se nessa linha onde o dia faz fronteira com a noite. Faz de conta o pôr-do-sol fosse um muro. Faz mais de conta ainda os pés felpudos pisassem o poente.” Consegue imaginar uma cena assim? 

Lá vão outras:

“Namoriscando o proibido, seus olhos pirilampiscavam.” “À medida que avançava, seu coração tiquetaqueava.” “Só quando desaguou na outra margem do tempo ele ousou despersianar os olhos.” “Nada sobrava de sua anterior gateza. E o escuro, triste, desabou em lágrimas.” “E os olhos do escuro se amarelaram. E se viram escorrer, enxofrinhas, duas lagriminhas amarelas em fundo preto.” “Dentro de cada um há o seu escuro. E nesse escuro mora quem lá inventamos.” “_ … Somos nós que enchemos o escuro com nossos medos.” “ Metade de seu corpo brilhava, arco-iriscando.” “Quando a mãe olhava o escuro, a mãe ficava com os olhos pretos. Pareciam cheios de escuro. Como se engravidassem de breu, a abarrotar de pupilas.” 

E aí? Pode imaginar a história? Pode ver um gato preto, enroscado do outro lado do mundo? (E…. qual seria o outro lado do mundo? )

Diz o autor que, “se fizermos como o gato desta história, o Mundo inteiro se transforma num brinquedo. E nós poderemos, então, perder o medo de sermos felizes.”

 

Literatura infanto juvenil

Campos Oliveira nasceu na Ilha de Moçambique, em 1847; morreu em 1911. Foi estudante de Direito em Coimbra e morou na Índia, autor de um Almanaque Popular em Margão, em meados dos anos 60.

«O pescador de Moçambique»:

— Eu nasci em Moçambique,
de pais humildes provim,
a cor negra que eles tinham
é a cor que tenho em mim:
sou pescador desde a infância,
e no mar sempre vaguei;
a pesca me dá sustento,
nunca outro mister busquei.

[…]

Vou da cabaceira às praias,
atravesso Mussuril,
traje embora o céu d’escuro,
ou todo seja d’anil
de Lumbo visito as águas
e assim vou até Sancul,
chego depois ao mar-alto
sopre o norte ou ruja o sul.

 

Literatura infanto-juvenil – GISELLE NEVES

Giselle Neves, 20 anos,estudante de Farmácia na Universidade Federal de Ouro Preto, no Brasil, natural de São Vicente, conta em “Marianinha” a estória de uma rapariga pobre que é bem sucedida na vida, após vencer barreiras e preconceitos.

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Literatura infanto-juvenil – DINA SALÚSTIO

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« Num certo lugar do Céu mora uma estrela muito bonita, como um candeeirinho que Deus aí pôs para iluminar aquele sítio ».

Assim começa o livro de Dina Salústio, A Estrelinha Tlim-Tlim, com magnificas ilustrações de Júlio Resende.

Editado pelo Instituto Camões-Centro Cultural Português da Praia, esta obra insere-se na colecção  » Livros Infanto-Juvenis », que já publicou obras de LEÃO LOPES, LUÍSA QUEIRÓS, ORLANDA AMARILÍS e FÁTIMA BETTENCOURT.

Literatura infanto-juvenil – LEÃO LOPES

Leão Lopes é Cineasta cabo-verdiano, professor universitário em Cabo Verde, doutorado pela Universidade de Rennes II, França, foi professor convidado da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, em Junho, onde deu duas aulas magnas, se exibiu o seu filme “Ilhéu da Contenda”, a que se associou a exposição “Escena – Cena Cabo-Verdiana”.

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”Capitão Farel – A Fabulosa História do Pirata de Monte Joana”.

Com o livro, o autor, explica Maria Luísa Baptista, instila nas jovens mentes tanto quanto nos seus corações, a curiosidade e mais a informação, novos elos de transmissão de memórias e vivências, num tom poético que caracteriza o narrador, Capitão Farel, em que a fronteira entre o real e o sonho se esfumam, como nas neblinas de Novembro da bem amada Santo Antão – bem amada por Farel, por coincidência berço de Leão Lopes.

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UNINE é uma menina muito bonita. Tão bonita que o Sol por ela se apaixona, perdidamente.

UNINE é mais um conto que traz à memória a ambivalência e tradições da ilha de Santo Antão. É uma reconstituição livre e desenvolvimento de um mote de conto, perdido no tempo, que agora se recupera. Nele, o belo se eleva para além das suas referências materiais para sublimar outros valores culturais ainda hoje vivos na tradição oral da ilha.

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História tradicional caboverdiana
contada e ilustrada por Leão Lopes

Às crianças e aos adultos que ainda amam e guardam em si as crianças que um dia foram.

Esta pequenina obra não tem outra pretensão senão a de continuar a tarefa de contar histórias, assumida pelos nossos volhos; a tarefa de prolongar nos tempos os valores da nossa tradição e dos nossos hábitos culturais para deles tirar o suporte da nossa identidade e as lições das cósmicas verdades que eles encerram.
A História de Blimundo é uma história da paixão e revolta carregada de símbolos que caracterizam toda a busca e preocupações humanas – enraízada num contexto de fortes valores específicos originários da escravatura e da desigualdade entre os homens.